segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
UM BOM E POLITICAMENTE CORRETO DIGNATÁRIO, SABERIA
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
AS TRÊS FREGUESIAS E OS ELEITOS
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Palácio da Pena (google) |
Tenho todo o respeito pelo trabalho
dos eleitos nos Órgãos executivo e deliberativo da União das Freguesias de
Sintra. Os cidadãos que os compõem, merecem toda a minha consideração pelas
funções que desempenham e pelo que representam na estrutura democrática das,
SUBLINHO, das, três freguesias.
A propósito do texto publicado aqui
no passado domingo, devo esclarecer que reconheço muita coragem e mérito aos responsáveis
pela gestão do executivo da União, nestes dois mandatos.
Só que, para se cumprir a necessária
política de proximidade duma Junta de Freguesia, têm de existir alguns
pressupostos que a situação criada em 2013, anulou completamente.
Faltam poucos meses para as
próximas eleições autárquicas. Parece-me que as forças representadas na
Assembleia de Freguesia, estão confortáveis com a atual União ou, pelo menos,
aos olhos da população, assim parece.
Evidentemente
que será difícil esperar que os promotores e apoiantes da agregação em 2013,
venham agora trabalhar para o contrário, já os outros, entretanto, deviam ter
tudo pronto para concretizar a desagregação, mesmo que depois pudessem propor
alterações aos limites de cada uma das três, mas pelo que consigo perceber, não
é bem assim.
Insisto!
No que vou vendo e ouvindo, até parece ser um problema inexistente e nem como
tema de reflexão é abordado. É assim, como se fosse tabu!
Sobre
a prometida desagregação, que explicação as forças políticas promitentes com
assento nos Órgãos da União, vão dar às populações das três freguesias?
Silvestre
Brandão Félix
26
de janeiro de 2021
domingo, 24 de janeiro de 2021
CHICO DA BELOURA, CALADINHO E A UNIÃO
Àquela hora, não era normal o Chico da Beloura estar ali, pensou
e admirou-se o Ti J’aquim Artista que do servicinho à chuva, vinha. O sol ainda
não se via por cima da casa do Silvestre Velho. É certo que ainda era janeiro,
portanto nunca (o sol) subiria muito, mas, ainda assim, cedo marcava o batente
lá de casa.
— Eh! Chico! Bom dia! Então, já mungiste o rebanho todo?
— Bom dia Ti J’aquim! Já! E por isso mesmo é que me encontra
aqui a esta hora. Dei por falta de três ovelhas e, logo se fez dia, “desatei” à
procura delas.
— Então e vieste logo por aqui? Ainda se te lembrasses de
trazeres uns queijinhos frescos, mas assim, a seco?
— Vim direito do Casal da Beloura para aqui, indo o janeiro
tão seco, podiam ter tido sede e vir ao Santo António, mas não! Por aqui não
estão. Agora vou dar a volta pelos “Celões”, “Campo da Colónia” e pelo caminho
até ao Linhô. Onde raio se terão metido.
— Oh! Chico, mas também podiam ter ido pelo caminho da Capa
Rota até à Azenha do Ti Sebastião e Manique ou subindo pelas Maçarocas até ao
Casal da Peça.
O sol de inverno, começava a despontar por cima da casa do
Silvestre Velho. Nos últimos tempos, toda a gente percebia que alguma coisa não
ia bem com o velhote. Não se deixava ver. A idade não perdoa e não demoraria
muito a ir até ao “Alto-da-Bonita”.
À mesma hora, no lugar de cima, encostado à esquina da
taberna do Ramos, lá estava o “observador” de nome Calado, mas que todos
chamavam “Caladinho”, visto, raramente falar. Os seus sentidos mais apurados eram
o ouvido e o olhar e havia quem dissesse que também o olfato, tal era o apuro
com que lhe “cheirava” a fatiotas e gabardines cinzentas. Das poucas vezes que
falava ou sussurrava com os colegas da fábrica, não parava de olhar em volta.
Em jeito de aviso, dizia aos amigos — cuidado com o que dizem porque “as
paredes têm ouvidos”.
Do lado do “Olival”, vindo da pedreira do Ti Miguel, aproximou-se
o Coutinho que era Bernardino, que nunca entendeu a maior parte do discurso do
Caladinho. Ia meter pela goela, um de três, tinto, mas antes, cumprimentou o
amigo e perguntou-lhe pelas novidades.
— Oh, Bernardino que não és Coutinho, novidades a bem dizer,
não tenho. Com tudo censurado com o “lápis-azul”, é muito difícil haver
novidades antes da distribuição da “folha-do-costume”.
— Mas oh, “Caladinho”, o “Rio-das-Sesmarias” disse-me, quando
lá passei, que o Presidente da Junta ia mudar de sítio. Então isso não é uma
novidade?
— Chiu!! (sussurra o “Caladinho”) Fala baixinho!! Tens de ter
cuidado porque a “bufaria” não desarma e Caxias não fica assim tão longe. Sim!
Eu sei dessa mudança, mas isso não é no nosso tempo.
— Não é agora? Então como é que o “Rio-das-Sesmarias” sabe?
— Sabe, porque ele, “O Rio-das-Sesmarias”, é eterno e ainda
não para de “correr” em frente. É certo que vão querer dar cabo dele, vão
querer roubar a água das suas nascentes, mas ele, como sabe o futuro, em cada “tempo”
vai reagindo e contrariando essas maléficas intenções.
— Oh! “Caladinho”, se ele sabe o futuro, porque não diz ao
Chico da Beloura, onde estão as ovelhas tresmalhadas?
— Coutinho que és Bernardino, não podes comparar a gestão do
rebanho de ovelhas do Chico, com a importância do “apagamento” da Freguesia de
S. Pedro de Penaferrim que, ainda assim, só vai acontecer lá muito mais para a
frente. Antes disso, o “Botas” vai cair duma cadeira, vão inventar uma “primavera”
que nunca acontecerá, os “bufos” e a Pide vão mudar de nome, mas continuarão
perseguindo antifascistas, os “reservistas” vão trocar a cor do lápis, mas
continuarão a censurar, e num “abril”, “depois-do-Adeus” e de “Grândola-Vila-Morena”,
os “figurões” irão dentro e o povo sairá à rua em “liberdade”. Logo de seguida,
a “Guerra-das-Áfricas” acabará e os soldados virão para casa.
— Oh! “Caladinho”, com tanta coisa, até fiquei engasgado!
Como é que sabes tudo isso? Eu cá a mim, parece-me que é tudo bom!
— Não és só tu, Bernardino que não és Coutinho, que conversas
com o nosso amigo “Rio-das-Sesmarias”.
— Está bem, pronto! Então, mas com essas coisas todas que
disseste, para onde irá o Presidente da Junta de São Pedro de Penaferrim?
— Bom, depois de tudo aquilo e no caso de não se verificar a
profecia que tantas vezes oiço; “a dois mil chegarás, de dois mil não passarás”,
vai aparecer um novo “figurão” — sim, porque essas sementes de má índole, “rebentam”
de vez em quando — que inventará, contra os interesses das populações e no meio
de um “mandato”, uma fórmula matemática com régua e esquadro, para diminuir a
quantidade de “freguesias”.
— Então, “Caladinho”, queres tu dizer que a nossa freguesia
vai acabar?
— Oficialmente não, mas na prática, sim! O pior é que não vão
perguntar nada a ninguém. Cozinham lá a coisa nas assembleias e nos executivos
e o povo, “népia”! Nada lhes vai ser perguntado. Alguns, vão prometer reverter
a situação logo seja possível, mas acho que depois, quando o povo lhes pedir explicações,
não se vão lembrar dessas promessas e assobiarão para o lado.
— Bom, voltando ao nosso tempo, será que o Chico da Beloura
já achou as ovelhas?
— Não sei, Coutinho que és Bernardino, mas se não as
encontrou, vai encontrar. Por enquanto, ainda se consegue ser “Prior nesta
freguesia”. A estória das ovelhas fui eu que inventei só para dar início ao
escrito porque até agora e por mais algum tempo, “todos os caminhos vêm dar à
Abrunheira”.
Mas que esta “União” não encaixa, lá isso não!
Abrunheira, 24 janeiro de 2021
(Dia de eleições presidenciais)
Silvestre Brandão Félix
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
COBRAS DOS BARROS, ABRUNHEIRA NORTE E OS CLANDESTINOS
